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Onde está o Investidor?

Photo by Christina @ wocintechchat.com on Unsplash

Buscando referências sobre investimentos em startups sob a ótica do empreendedor, me deparei com a falta de artigos que o pudessem auxiliar nessa jornada; fato que me motivou a escrever este. Espero que ele seja de grande valia para a sua jornada em busca de um investidor.

Atualmente possuo um portfólio de 20 investidas. Faço parte da ONYAN, fazendo o screening de startups early stage, componho o comitê de seleção da GVAngels, sou o responsável pelo Nebula Lab, (ecossistema para o mercado financeiro). Também sou Founder da FORMA ID, consultoria focada em Fundraising e M&A de startups, e diretor de startups da OKTA-SP.

Neste artigo, abordo 3 pontos importantes na jornada em busca de um investidor:

1 – Avaliar a real necessidade do investimento

Muitas vezes os empreendedores buscam investimentos em uma fase muito early stage, sem se darem conta do impacto dessa captação para o futuro de sua empresa.

Em uma fase muito inicial o valuation tende a ser mais baixo, logo a diluição que um investimento traz pode ser considerável, podendo impactar em futuras rodadas devido à diluição dos founders.

  • Outro ponto interessante é que, na ótica do investidor, os empreendedores que investem seus próprios recursos passam uma grande imagem de seus comprometimentos com o projeto.

Inicialmente parece que o dinheiro do investidor é o recurso mais fácil e barato que o empreendedor pode ter, mas se ele realmente acreditar no crescimento do negócio, esse pode ser o dinheiro mais caro do mundo, pois terá cedido um percentual relevante de sua empresa por um investimento relativamente baixo.

2 – Verificar o momento ideal para buscar investimento

Apesar de ser clichê, o melhor momento para se captar é quando não se está necessitando de captação. Usualmente o tempo necessário para finalizar todo o processo de captação é muito negligenciado e acabam buscando investimento quando o caixa aperta. Às vezes, esse momento já é tardio para se ter um bom posicionamento frente aos investidores.

  • Outro ponto importante é buscar investimento para acelerar o crescimento e não para o desenvolvimento do produto. O melhor momento para se aproveitar ao máximo os novos recursos é quando o MVP já foi rodado e o mercado inicial já foi validado. Já vi muita startup captando milhões de reais e morrendo na praia tentando validar seu produto. Foco no Product Market Fit.

3 – O tipo ideal de investidor para cada fase

O terceiro ponto seria a busca pelo investidor certo. Não acredito que exista um investidor correto, mas também não acredito muito que existam investidores errados. É importante ter claro o que você busca.

Cada investidor tem uma tese de investimentos, logo é muito importante estudar essa tese e verificar se bate com as qualidades e o momento da sua startup antes de abordá-lo. É importante saber segmentos de atuação, ticket de investimento, estágio das investidas, entre outras informações relevantes para abordar o investidor certo no momento certo.

Eu pessoalmente uso como critério para a seleção de uma startup os seguintes itens nessa ordem de prioridade:

– Timing – não adianta ter a melhor ideia do mundo fora do timing certo (ótimas empresas faliram por trazerem ideias geniais e revolucionárias antes do tempo);

– Time forte – a única certeza do investidor é que todos esses números, estratégias e projeções apresentadas provavelmente não ocorrerão, por isso a única certeza é que, na adversidade e na mudança de cenários, um time forte é capaz de reconhecer e mudar;

– Ideia – o terceiro ponto que analiso é se a Ideia é boa e suas métricas também: tamanho de mercado, escalabilidade, cap table, concorrência, entre outros;

A jornada em busca do investidor nem sempre é uma jornada fácil. É comum se deparar com um investidor que se encaixa perfeitamente com sua tese, mas não é uma pessoa que você gostaria como sócio. Isso acontece também quando falamos de investidores institucionais como VCs, Family Offices, etc.

Mas se tem um último conselho que posso dar a vocês e que aprendi com muita dificuldade é que: não precisamos trabalhar com quem não queremos, mas podemos continuar a jornada e buscar pessoas com quem queremos trabalhar! Afinal, o cara vai ser seu sócio e o mínimo que se espera é que vocês possam ter grandes momentos juntos.